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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Algumas citações


"E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando." Hilda Hilst

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‎- Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente não é o mesmo que dele se alegra ou padece. Na vasta colônia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente.
Fernando Pessoa

- Somos todos retalhos de uma textura tão disforme e diversa que cada pedaço, a cada momento, faz seu jogo. E existem tantas diferenças entre nós e nós próprios como entre nós e os outros.
Michel de Montaigne

- Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que há dentro de nós, o que acontece com o resto?
Amadeu Inácio de Almeida Prado
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"Disciplinas, línguas, países e pessoas são universos em construção e negociação com seus meio ambientes. A dialética cultural promove novas disciplinas, línguas, territórios e fronteiras, mudanças, e se o mundo performa, o teatro continuará sendo um sítio de performances sobre performances do mundo."

PINHEIRO VILLAR, Fernando em 'performanceS'.

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- trecho do segundo capítulo de "A Insustentável Leveza do Ser":

“Tereza nasceu, portanto, de uma situação que revela brutalmente a irreconciliável dualidade do corpo e da alma, essa experiência humana fundamental.

Num passado remoto, o homem deve ter ouvido com assombro o som de batidas regulares que vinham do fundo de seu peito, sem conseguir saber o que seria aquilo. Não podia identificar-se com um corpo, essa coisa tão estranha e desconhecida. O corpo era uma gaiola e dentro dela, dissimulada, estava uma coisa qualquer que olhava, escutava, tinha medo, pensava e espantava-se; essa coisa qualquer, essa sobra que subsistia, deduzido do corpo, era a alma.

Hoje, é claro, o corpo deixou de ser um mistério, sabemos que o que bate no peito é o coração, o nariz nada mais é que a extremidade de um cano que avança para poder levar oxigênio aos pulmões. O rosto nada mais é que o painel onde terminam todos os mecanismos físicos: a digestão, a visão, a audição, a respiração, a reflexão.

Depois que o homem aprendeu a dar nome a todas as partes de seu corpo, esse corpo inquieta menos. Atualmente, cada um de nós sabe que a alma nada mais é que a atividade da matéria cinzenta do cérebro. A dualidade da alma e do corpo estava dissimulada por termos científicos; hoje, isso é um preconceito fora de moda que só nos faz rir.

Mas basta amar loucamente e ouvir o ruído dos intestinos para que a unidade da alma e do corpo, ilusão lírica da era científica, imediatamente se desfaça.”



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