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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Texto a partir de "Cadáver Esquisito"


TEXTO A PARTIR DE ‘CADÁVER ESQUISITO’(JOGO SURREALISTA)

Minha carne está insossa, só falta.... falta tudo. A minha carne é cega.
Tropeço em minhas pernas. Deixo partes ao invés de pegadas. 
Meus pedaços ausentes existem e o cheiro da terra molhada não sai dos meus pés. 
Me enterro no abismo do vazio enquanto minhas narinas se entopem de carne, meus pés dormentes gritam.
Meu corpo perde a razão (há? havia?) quando é impedido de agir. Se então gritasse, não só os pés gritariam, mas ele todo:
- Sou todo, célula por célula, vibração. A voz me expande para o universo.
E flutuando na correnteza sanguínea, imagino seus lábios partidos.
Seu sorriso quebrado gargalha, enquanto seus dentes quebram ao cair no chão.
Com meus dentes caídos construo uma muralha que não sorri.
Saio do sonho, meu corpo pesa e me prende no chão.
Essas marcas da carne guardam antigas estradas.

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