Hilda Hilst
Da Morte. Odes Mínimas
XXXIV
Tão escuramente caminha
À beira-lágrima
Dentro do meu ser
Que já não sei
De onde veio ou vinha
Vontade minha de te conhecer.
Hoje tão escuramente
Passeias, tardas, te arrastas
Num vasto alheamento
Dentro do meu ser
Que já não sei
Se te pensar foi gesto
Para inda mais ferir
Minha própria mágoa.
Por que, pergunto, estando viva
Devo eu morrer?
Por que, se és morte,
Deves me perseguir?
Aquieta-te, afunda-te,
Morre, pequenina,
Escuramente
Dentro do meu sofrer
II
Passará
Tem passado
Passa com a sua fina faca
Tem nome de ninguém.
Não faz ruído. Não fala.
Mas passa com a sua fina faca.
Fecha feridas, é unguento.
Mas pode abrir a sua mágoa
Com a sua fina faca.
Estanca ventura e voz
Silêncio e desventura.
Imóvel
Garrote
Algoz
No corpo da tua água passará
Tem passado
Passa com a sua fina faca.
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